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O Ambrosia
No tempo em que os deuses do Olimpo ainda caminhavam entre os homens, a bebida ou comida conhecida como ambrosia (αμβροσία) servia de alimento para sua imortalidade e só podia ser conseguida nas terras ermas do oriente, um lugar inalcançável para todos homens e de difícil acesso mesmo para as divindades. Protegida como o verdadeiro tesouro divino, a iguaria quanto aplicada aos homens produzia vigor e mesmo cura, já quando ingerida transpunha a carne do véu da mortalidade.
“Assim que Leto dá à luz Apolo, a deusa oferece-lhe o peito; já Têmis, que bem assistia no parto divino, devidamente verteu-lhe ambrosia e néctar com suas mãos divinas. De imediato, plenificou-se a essência vigorosa, ativa, que bem define o seu precípuo ser, a natureza divina de Apolo: os cordões dourados que a atavam, e as faixas que a confinavam, a criança recém nascida as rompe em sua expansão corpórea; já dotado de fala, reclama os atributos de seu poder: o arco, a lira; anuncia projetos colonizadores; salta do berço, e vai-se terra afora pelas estradas”
Sissa-Detienne, Os Deuses Gregos – Hino a Apolo.
Poucos homens aproveitaram do poder divino da ambrosia, entre eles podemos citar Demofonte, Nômio e o caso mais famoso de Aquiles, que somente não foi banhado com ambrosia em seu calcanhar, justamento o ponto atingido pela sorrateira flecha envenenada de Paris.
Mas o tempo dos deuses passou e a humanidade a ambrosia, porém, o desejo da imortalidade não se extinguiu e nas artes a humanidade descobriu outra fórmula para a imortalidade. Desde então criamos e aprimoramos formas de estar mais perto do divino, seja através da literatura, teatro, música, cinema ou quadrinhos, o ideal da imortalidade está sempre presente no fundo da alma das pessoas e, isso também é ambrosia.











