Festival do Rio: Depois de Tudo
O curta Depois de Tudo, do jovem diretor Rafael Saar, recebeu uma boa dose de atenção por ser a primeira incursão dramática do cantor Ney Matogrosso.
Mas passada aquela sensação de reconhecimento de uma figura tão marcante, temos um filme interessante e bonito. Cenas simples, cotidianas, mostram o amor entre dois homens (Ney e Nildo Parente) na terceira idade, fase tão repudiada pela cultura gay. Sem a exibição dos corpos sarados e das músicas eletrônicas, temos um filme sobre cumplicidade, com um final bastante apropriado para a geração que retrata.
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Em poucas palavras vc disse tudo, Fabricio. A importância de "Depois de tudo" está na coragem de se tocar num assunto que representa um tabu até p/ os gays, o amor homossexual na terceira idade. Muito difÃcil p/ uma figura tão fascinante, e tão presente no imaginário popular brasileiro como Ney Matogrosso, transformar-se na tela num "anônimo qualquer", num homem que mantém sua vida pessoal e sua sexualidade em total clandestinidade. E Ney consegue! Ótimas atuações dele e de Nildo Parente. Saar fez um filme ao mesmo tempo delicado, sério e contundente.